Vivemos cada vez com mais pressa, nao nos importamos com os sentimentos dos outros. Em uma conversa só queremos falar, falar e falar. Nos colocamos como o centro de tudo, nada mais importa so nossos problemas. De um outro ponto, nos tornamos ouvintes cada vez menos sensíveis, imcapazes de dedicar um pouco do nosso tempo a outras pessoas.
Socorro!!!!! Virei um orelhão.
Oi, oi, Miguel? Enquanto atravessava a rua aqueles “ois” me soaram como uma sirene para um ladrão, mas não fui capaz de fugir. Ao me virar, vi que vinha atravessando logo atrás minha chefe, de uma voz tão doce, que meus ouvidos já tinham se tornado diabéticos, e logo começou o derramamento de glicose. Fui impedido até mesmo de retribuir o boa tarde.
Seria falta de educação interrompe-la? Seria obrigado a ficar ali? Acho que não, mas por ser tratar de minha chefe, meu medo me tornava uma vitima da situação. As pessoas não deveriam se submeter a situações desagradáveis. A consciência de ambas as partes deveria existir, tanto da pessoa que fala, em entender que ao falar demasiadamente se torna chata, tanto do ouvinte em alertá-la disso.
Mais alguns quilos de açúcar e eu ali, a emitir apenas alguns sons tribais. Aham! Hã! Era impressionante a capacidade dela de impedir que eu abrisse a boca, e isso sem ao menos tocá-la. Sentia-me nesse momento como um erelhão, a ouvir sobre a tia com câncer, a apresentação de balé da filha, e até sobre o silicone novo. Não, não sou insensível, apenas considero um dialogo uma situação em que os dois falam. No caso dela o sistema era unialogo. Acho que o grau de intimidade foi ultrapassado.
Por uma sorte, fui salvo pelo toque do celular. Inventei uma desculpa qualquer e tratei de me despedir. Não fui capaz de interromper minha chefe, mas depois de hoje, passei na farmácia e comprei uns pequenos tampões, quase imperceptíveis, afinal meus ouvidos estão mesmo precisando de uma dieta.
Marcus Castro
terça-feira, 15 de abril de 2008
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