sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Ligeirinho

Acordei com a campainha tocando. Era o carteiro que trazia o pacote de um produto importado que eu havia encomendado a menos de uma semana.Com meu inglês tosco,consegui com muita dificuldade,verificar pela leitura da etiqueta que se tratava das pílulas da memória.Ao abri-lo e pegar a bula não consegui entender nada,mas pela palavra “two” deduzi que tinha de tomar duas.
E tomei. Afinal, não agüentava mais ser motivo de chacota no colégio.Em todo o lugar em que eu estava se ouvia: O cabeça de vento;o lerdinho; e o mais irônico e irritante de todos, o ligeirinho.Bastava.Com as pílulas nunca mais seria motivo de gozação.
De inicio tudo ia muito bem. Para a aula eu havia levado todos os cadernos, feito todos os deveres, sabia toda a matéria de cor, e o mais impressionante, não errei o nome da professora. Todos me olharam assustados, é claro.O estranho foi na hora do intervalo.Eu estava no pátio conversando com meus amigos,quando uma garota linda chegou e me beijou.Eu fiquei sem entender nada,mas como a menina era bonita e beijava bem,não me impus.Depois de alguns beijinhos,numa situação bem agradável,ela virou e disse: Eu te amo.Eu te amo? Aquela declaração me deixou assustado, e resolvi perguntar quem era ela. Eu nunca deveria ter feito isso.A menina começou a chorar,me disse mil palavrões e foi embora.Então, perguntei aos meus amigos de quem se tratava, e por incrível que pareça era minha namorada.
As pílulas da memória não tinham funcionado?Ao final da aula corri para casa e tomei mais duas. Não me lembrei nem do meu ultimo nome. Tomei outras duas e voltei a lembrar de tudo,até da minha namorada.E assim foi, as vezes me lembrava de tudo,as vezes esquecia meu nome, até que resolvi pedir ajuda a um amigo que sabia tudo de inglês.
Na verdade, tratava-se de dois tipos diferentes de pílulas. Umas para a memória e outras que faziam o efeito contrario.Joguei todas fora no lixo.Ou foi no saco de ração do cachorro?Ah, não me lembro. Só sei que o Pingo não atende mais pelo nome.

Marcus Castro

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Canção de Pasárgada

Vou-me embora a pasárgada
Fazer uma visitinha
Ao poeta que se diz menor
Mas que lá é o maior

Vou-me embora a pasárgada
Pois lá tudo é um sonho
Um sonho da vida inteira
Do saudoso poeta Bandeira

Vou-me embora a pasárgada
Conhecer o amigo do rei
E quem sabe se nos dermos
Também terei na cama que quero
A mulher que um dia sonhei

Vou-me embora a pasárgada
Conhecer Joana a Louca de Espanha
Que de tantas mulheres possíveis
Foi a melhor barganha

Vou-me embora a pasárgada
Fazer ginástica e tomar banho de mar
Mas tudo com muita pressa
Pois pra minha terra quero voltar

Minha terra tem mulheres
Tão bonitas quanto cá
As prostitutas que aqui namoram
Não fornicam como lá.

Nosso litoral tem mais mar
Nossas várzeas têm mais flores
Nosso Brasil tem mais mulheres
Nossas mulheres mais cores

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá
Os sonhos que aqui encontro
Tão belos de se declamar
Na minha terra ei de vivenciar.

Marcus Castro

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dialogo entre mentes

- Oi tudo bom? Tc de onde?

- Comigo mais ou menos. Isso é relativo, as vezes estou longe e as vezes estou perto.

- Bacana.Mas aki, o que vc procura.?

- Procuro alguém pra me ouvir, me entender, me valorizar...

- As opções andam meio escassas né. Ta difícil achar alguém que de valor a nos hoje em dia.

- Realmente, não tenho dado muita sorte não. A promiscuidade dos pensamentos nos torna cada vez menos necessárias, somos descartadas sem pudor.

- Estou vendo que a vida anda difícil pra todo mundo.

- Com certeza. Mas o que te trás nessa sala de bate-papo?

- Uma historia meio triste, mas vamos lá. Desde novinha, quando comecei a me desenvolver, sempre fui muito talentosa. Cheia de potencias artísticos, literários, musicais. Mas com a adolescência fui deixada de lado, não mais despertava entusiasmo.Acabei suprindo a mera função de estudar.Na juventude fui trocada pelas drogas.Nessa fase fui totalmente atrofiada. Hoje me encontro aki,inútil,a procura de alguém que ainda me queira.

- Comigo não foi muito diferente. No começo me sentia ótima, liberta, feliz com umas duas doses de pinga. Depois perdi o controle. Hoje já não tenho a mesma saúde de antes, e fui trocada sem culpa pela bebida.

- Com certeza historias muito tristes. Apesar de que nem é necessário que ocorra uma situação drástica. A correria dos tempos modernos, a busca desenfreada pelo dinheiro, a falta de ética, tudo faz com que sejamos desprezadas...

- É minha amiga, não estou com muita sorte não. Acho que já vou indo nessa. Quem sabe ainda não acho alguém afim de pensar por ai.

- Da uma passadinha la no teatro, na biblioteca, ou então no boteco da esquina.Apesar de raro, é possível ainda achar alguém.

Marcus Castro

quinta-feira, 15 de maio de 2008

TENTAÇAO

Um olhar fulminante
De uma mulher deslumbrante
Que da sua pele exala
O perfume da paixão

Em seus olhos um oceano
Tão profundo que me perco
Na imensidão de sentimentos
Expressos em um único olhar

Os seus lábios uma maça
Vermelha cor de sangue
Tão suculenta e provocante
Que ínsita o pecado da luxuria

Sua pele branca e lisa
É a sensualidade ilustrada
Um convite ao pecado
De um homem obcecado

Em meio à volúpia das emoções
Uma menina ainda vive
Nos sorrisos cativantes
De uma mulher fascinante
Com um destino exuberante.

Marcus Castro

domingo, 11 de maio de 2008

Aula de Português

Eu subo pra cima

E também desço pra baixo

Se quiser entro para dentro

E depois saio pra fora

Mas tudo que eu não posso

É deixar o verso ir embora

Marcus Castro

sábado, 10 de maio de 2008

Faço de Tudo

Faço de tudo,
Pra te encontrar, e com você poder voar
Cortar o céu em sete pedaços
E cada um deles te dar

Faço mil planos
Pra te achar, e pelo mar navegar
Ir ate o lugar mais profundo do oceano
E ali eternamente te beijar

Nossos lábios não são mais nossos
Meus olhos são seu reflexo
E o maior dos presentes você me deu
Agora seu corpo é todo meu

Viajo nas ondas das tuas curvas
Deito sobre suas costas nuas
E tudo que sinto nesse momento
É seu coração, no meu peito

Sua respiração ofegante
E a mudança do seu semblante
Fazem-me agora entender
Que eu possuo todo o seu ser

Mais um amanhecer e você ao meu lado
Meus olhos agora insistem em fechar
Não vou lutar contra a natureza
Pois agora que te amei, só me resta sonhar.
Com a próxima viagem ao fundo do mar.

Marcus Castro

domingo, 4 de maio de 2008

Cade o oxigenio?

PRÉ-VESTIBULANDO TEM QUE RALAR
SUA VIDA SE LIMITA A ESTUDAR
TODO DIA CEDO TEM QUE ACORDAR
E MOLE, ELE NÃO PODE DAR

NA PRIMEIRA AULA, NA CARTEIRA QUER DEITADAR
E POR ALI, ELE PRETENDE FICAR
AI A CONCIENCIA VEM LHE CUTUCAR
E ELE VOLTA A ESTUDAR

DA O SINAL ELE VAI ALMOÇAR
E LOGO PRO RETORNO TEM DE VOLTAR
A CARTEIRA INSISTE EM CHAMAR
E MAIS UMA VEZ ELE TEM DE LUTAR

O DIA PASSOU E A LUA JÁ ESTA A BRILHAR
E O DESCANÇO DO PRE-VESTIBULANDO, NEM PERTO DE CHEGAR
EM CASA ELE SENTA PRA JANTAR
E LOGO DEPOIS ELE VOLTA A ESTUDAR

AGORA SO LHE FALTA DEITAR
E COM SEUS LIVROS SONHAR
AINDA BEM QUE O DIA ACABA DE TERMINAR
PORQUE NÃO TENHO MAIS AR.
PRA RESPIRAR E NEM PRA RIMAR

Marcus Castro

terça-feira, 29 de abril de 2008

Brincadeira de gente Grande

È possível viver na fantasia
Fingir que é gente no mundo da hipocrisia
Brincar de cobra-cega com a corrupção
E de pique e pega correndo atrás do mensalão

Policia e ladrão,essa não tem jeito
Não sei dizer quem é o pior sujeito
O pique - esconde essa já tem um campeão
O Bin Laden no Afeganistão

Os EUA jogam War constantemente
E apesar de sempre ganhar, nunca fica contente
No oriente médio a moda é o tiro ao alvo
Financiada por americanos que estão a salvo


No Brasil o negocio é o carteado
O baralho é sempre o mesmo e todo mundo fica calado
Em época de eleição, o político joga o truco
E o blefe é seu maior triunfo

Vivo assim em uma espécie de jogo real
Em que brincar não é sempre muito legal
Só espero agora ser um pouco mais consciente
E brinca de uma maneira descente.

Marcus Castro

sábado, 26 de abril de 2008

Sala de anatomia

O ser humano não é mais humano

É pernas, braços, troncos

Tudo jogado sobre a mesa fria do preconceito

E do qual a parte mais difícil de abrir é a CABEÇA.

Marcus Castro

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Área de Risco

Kabrum! KAbrum! KABrum!
Faz o trovão no céu,

GRUn! GRun! Grun!
Faz o estomago da senhora na terra

Chuá! CHuá! CHUá!
Faz a chuva a cair

DLIm! DLim! Dlim!
Faz a colher na panela quase vazia

Tlec! TLec! TLEc!
Faz a casa velha a trincar

FREc! FRec! Frec!
Faz o rodo à agua rapar

CABUM!!!!!!!!!
Fez a casa ao desabar

TUM TUM! TUM Tum! Tum tum! Tum! tum!.............................
Fez o coração ao parar.

Marcus Castro

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A vida é passageira

PASSA o tempo, PASSA

PASSA A INVEJA PASSA

PASSA a Luta PASSA

PASSA o Ódio PASSA

PASSA a Vida PASSA

PASSA o Eterno PASSA

PASSA a Vingança PASSA

PASSA a Outra PASSA

PASSA o Ciúme PASSA

PASSA o Erro PASSA

PASSA PASSA
PASSA PASSA
PASSA PASSA
PASSA PASSA
PASSA PASSA
PASSA PASSA
PASSA PASSA

E TUDO QUE FICA É UM GRANDE AMOR ESCRITO NO MEU CORAÇÃO

Marcus Castro

terça-feira, 15 de abril de 2008

O Tempo não para.

Vivemos cada vez com mais pressa, nao nos importamos com os sentimentos dos outros. Em uma conversa só queremos falar, falar e falar. Nos colocamos como o centro de tudo, nada mais importa so nossos problemas. De um outro ponto, nos tornamos ouvintes cada vez menos sensíveis, imcapazes de dedicar um pouco do nosso tempo a outras pessoas.


Socorro!!!!! Virei um orelhão.

Oi, oi, Miguel? Enquanto atravessava a rua aqueles “ois” me soaram como uma sirene para um ladrão, mas não fui capaz de fugir. Ao me virar, vi que vinha atravessando logo atrás minha chefe, de uma voz tão doce, que meus ouvidos já tinham se tornado diabéticos, e logo começou o derramamento de glicose. Fui impedido até mesmo de retribuir o boa tarde.

Seria falta de educação interrompe-la? Seria obrigado a ficar ali? Acho que não, mas por ser tratar de minha chefe, meu medo me tornava uma vitima da situação. As pessoas não deveriam se submeter a situações desagradáveis. A consciência de ambas as partes deveria existir, tanto da pessoa que fala, em entender que ao falar demasiadamente se torna chata, tanto do ouvinte em alertá-la disso.

Mais alguns quilos de açúcar e eu ali, a emitir apenas alguns sons tribais. Aham! Hã! Era impressionante a capacidade dela de impedir que eu abrisse a boca, e isso sem ao menos tocá-la. Sentia-me nesse momento como um erelhão, a ouvir sobre a tia com câncer, a apresentação de balé da filha, e até sobre o silicone novo. Não, não sou insensível, apenas considero um dialogo uma situação em que os dois falam. No caso dela o sistema era unialogo. Acho que o grau de intimidade foi ultrapassado.

Por uma sorte, fui salvo pelo toque do celular. Inventei uma desculpa qualquer e tratei de me despedir. Não fui capaz de interromper minha chefe, mas depois de hoje, passei na farmácia e comprei uns pequenos tampões, quase imperceptíveis, afinal meus ouvidos estão mesmo precisando de uma dieta.

Marcus Castro

domingo, 13 de abril de 2008

O QUE SOU?

Um dia me perguntei. O que sou?O que fui?O que virei a ser?
Sou eu Marcus Renato Castro Ribeiro?E só isso?Sou eu um jovem na busca de ser alguém na vida? E o que viria a ser, ´´ser alguém na vida´´?

Ser?
Individuo ou apenas mais um verbo da gramática?

Sei, e somente sei que não sei o que sei.
Sei, e somente sei que não sou o que fui
Sei, e somente sei que não serei o que sou
Sei, e somente sei que agora não já não sei se sei o que não sei o que não fui e o que não serei.

Sei o que todos querem que eu seja
Mas não sei se o que todos querem que eu seja é o que eu quero ser
Sei que às vezes eu queria não ser
Não ser humano
Não ser adulto
Não ser hipócrita
Não ser responsável pelo mundo
Mas seu eu não fosse nada, eu ainda seria um Ser?

Sei, que a verdade, eu não sei
Sei que talvez nunca saiba
Mas de uma coisa eu sei que sei
Que serei alguém na vida

Talvez não seja o que meus pais esperam,
O que meus amigos esperam
O que o mundo espera

Sei que talvez eu não seja o maior
Mas sei que posso ser feliz, sendo o menor
Sei que talvez eu não faça grandes coisas
Mas sei que posso fazer as pequenas
Sei que talvez eu não seja um Super-Herói
Mas sei que posso escolher não ser o vilão
Sei que talvez eu não seja TUDO
Mas sei também que não sou o NADA

E se o NADA eu não sou,
Logo alguma coisa eu sou
E isso me conforta
E você, o que é?